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A Mata Atlântica sofre com processo de defaunação

Que a Mata Atlântica vem sofrendo perdas imensuráveis de sua área original não é novidade. Estima-se que atualmente o bioma tenha apenas 12,4% de sua cobertura original brasileira (SOS Mata Atlântica). A expansão das fronteiras agrícolas e o crescimento imobiliário tem sido dois dos principais fatores de degradação e supressão da Mata Atlântica.

Um dos grandes problemas gerados com toda essa degradação são os impactos causados diretamente sobre a fauna do bioma, principalmente sobre mamíferos de médio e grande porte. Um estudo publicado neste ano apontou que a Mata Atlântica perdeu cerca de 70% destes mamíferos nos últimos 500 anos. Essa perda afeta toda a dinâmica ambiental fazendo com que os fragmentos de mata sobreviventes fiquem vazios de espécies animais, ocorrendo o processo de defaunação.

O estudo publicado pela revista científica digital PLOS ONE foi realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, Federal de Santa Catarina  e do Instituto East Anglia, no Reino Unido (https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0204515#sec011). A pesquisa foi elaborada com foco no bioma Mata Atlântica da América do Sul, abrangendo partes do Brasil e Argentina. Para classificação de mamíferos de médio e grande porte, foram considerados indivíduos com peso adulto ­­­≥ 1 kg.

Foram analisadas 41 espécies de mamíferos, onde os mais afetados são os de topo de cadeia como as onças pintadas e pardas (Panthera onca e Puma concolor, respectivamente). Estas espécies além de sofrerem com a baixa de presas disponíveis sofrem também com a redução dos habitats e fragmentação das áreas de mata. Suas presas, na maioria com hábitos alimentares frugívoros, e grandes herbívoros, são as primeiras a sofrer com a redução dos fragmentos florestais e a pressão da caça ilegal, partindo a procura de áreas maiores e ecologicamente mais ricas em recursos. Já as espécies de topo, necessitam de grandes áreas de território para sua manutenção.  O processo funciona como um frágil mecanismo, onde a falta de uma peça pode danificar todo o sistema, por mais simples que a peça possa parecer. No caso da dinâmica ambiental, habitat, presas e predadores precisam está equilibrados, o menor desequilíbrio pode ocasionar malefícios de grandes proporções não apenas no contexto fauna e flora, podendo atingir e gerar problemas aos seres humanos, como já vem ocorrendo em alguns casos.

No contexto do Licenciamento Ambiental, um bom programa de pesquisa e conservação da fauna é de suma importância. Conhecer as espécies presentes na área pleiteada para a implantação do empreendimento é o primeiro e um dos mais importantes passos a ser dado nessa empreitada. A partir destas informações iniciais será possível elaborar o programa de monitoramento adequado, propor medidas específicas de conservação para espécies raras ou endêmicas que possam ser identificadas na área do empreendimento ou entorno, aplicar metodologias de estudos específicas para cada grupo faunístico identificado e monitorar os resultados, propor novas metodologias com melhores resultados se for necessário, tudo isso para que possamos de fato fazer uma pesquisa coerente e obter resultados que possam ser utilizados na conservação e manutenção das espécies. Outra ferramenta importante a ser implementada é a participação da comunidade local nos trabalhos, envolver a comunidade, entender sua dinâmica com o meio onde vivem pode trazer informações importantes a ser consideradas na conservação da floresta e suas espécies animais.

Fonte:

Leandro Cruz - Oct 22, 2018

  • Mastozoólogo, atuando há mais de 10 anos na área ambiental, com foco em trabalho de campo, e estudos de fauna.

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